Banco do Nordeste Cultural abriu portas em Mossoró e devolveu ao público teatro histórico revitalizado

Com presença da ministra Margareth Menezes, equipamento reabriu como novo polo de formação, circulação artística e valorização da cultura potiguar

por Ugmar Nogueira
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“Todo teatro guarda memórias, mas alguns parecem respirar histórias”. Foi assim que a atriz potiguar Lenilda Santos, da Cia Escarcéu de Teatro, tradicional grupo de artes cênicas, definiu a sensação de voltar ao Teatro Lauro Monte Filho, em Mossoró, agora completamente revitalizado e oficialmente inaugurado como sede do Banco do Nordeste Cultural no Rio Grande do Norte.

A cerimônia de abertura foi realizada nesta quinta-feira (14), com a presença da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, da ministra da Cultura, Margareth Menezes, do presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, além de artistas, produtores culturais e representantes de instituições parceiras.

Mais do que a entrega de um prédio reformado, a inauguração marcou a retomada de um espaço que atravessa gerações na memória afetiva de Mossoró. Inaugurado originalmente como Cine Cid, em 1964, o equipamento foi por décadas ponto de encontro para cinema, teatro e manifestações artísticas da cidade, até ser fechado em 1993.

Agora, após ampla revitalização, o teatro inicia uma nova fase integrado à rede de centros culturais do Banco do Nordeste, ao lado de unidades em Fortaleza, Juazeiro do Norte e Sousa, inserindo Mossoró e o Rio Grande do Norte de forma permanente no circuito cultural nordestino.

Para a governadora Fátima Bezerra, a entrega simboliza uma escolha estratégica do Governo do Estado.

“Não estamos apenas reabrindo um teatro. Estamos devolvendo ao povo um patrimônio histórico, agora fortalecido, vivo e preparado para cumprir uma função pública essencial, democratizar o acesso à cultura, fomentar a economia criativa e criar oportunidades para artistas e produtores culturais do nosso estado”, afirmou.

A governadora destacou ainda que a decisão de ceder o equipamento ao Banco do Nordeste, formalizada em setembro de 2024, garantiu investimento, gestão qualificada e programação contínua.

“Foi uma decisão construída com visão de futuro. Ao ceder este equipamento, fizemos uma escolha política clara de fortalecer esse patrimônio e inserir definitivamente o Rio Grande do Norte na rede de Centros Culturais Banco do Nordeste. Cultura não é luxo. Cultura é direito, identidade, memória e desenvolvimento”, acrescentou.

Com investimento aproximado de R$4 milhões, as obras incluíram revisão estrutural, modernização elétrica, substituição de piso e cadeiras, além da implantação de novos sistemas de som, iluminação e projeção. O espaço passou a contar com capacidade para 426 pessoas e estrutura compatível com grandes produções artísticas.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, ressaltou o papel das políticas públicas de descentralização do investimento cultural.

“Estamos fazendo a cultura acontecer em todos os estados e cidades brasileiras, com investimento direto do Governo Federal para fortalecer a economia criativa e ampliar oportunidades”, disse.

A inauguração em Mossoró integra a expansão da rede de equipamentos culturais da instituição no Nordeste.

“Estamos ampliando a presença do Banco na cultura. Mossoró inaugura uma nova etapa, ao lado de projetos previstos para Recife e Salvador, fortalecendo nosso compromisso de levar cultura para todo o Nordeste”, afirmou o presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara.

Ele ressaltou que a entrega do espaço também simboliza a parceria entre Banco do Nordeste, Governo do Estado e Ministério da Cultura.

“O Banco atua em mais de 2 mil municípios e quer apoiar a cultura local não apenas por meio de equipamentos como este, mas fortalecendo ações culturais em toda a nossa área de atuação”, acrescentou.

O diretor de Planejamento do Banco do Nordeste, Aldemir Freire, destacou ainda o caráter simbólico da inauguração, lembrando que fazia quase 20 anos que a instituição não abria um novo centro cultural. Mossoró é o primeiro de uma nova etapa de expansão, que também prevê unidades em Recife e Salvador.

“Fazia quase 20 anos que o Banco do Nordeste não inaugurava um novo centro cultural. Mossoró inaugura essa nova etapa e simboliza a ampliação da nossa atuação na área cultural”, afirmou.

Aldemir também ressaltou a importância da reabertura do Teatro Lauro Monte Filho para a memória cultural do estado e para o fortalecimento da produção artística local.

“Estamos aqui para fortalecer a produção cultural de Mossoró, do Rio Grande do Norte e integrar cada vez mais a produção artística dessa belíssima região que é o Nordeste”, completou.

Desde 2024, o Banco do Nordeste vem ampliando sua atuação cultural em Mossoró. Entre 2024 e 2026, foram investidos R$3,32 milhões em ações culturais, com realização de 679 atividades e público superior a 88 mil pessoas.

A iniciativa conta ainda com parceria da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, responsável pelo serviço e segurança do equipamento.

A programação inaugural incluiu apresentação dos Caboclos de Major Sales, espetáculo A Invenção do Nordeste, do Grupo Carmim de Teatro, além de show gratuito da cantora potiguar Roberta Sá na Praça Vigário Antônio Joaquim, em frente ao teatro.

As atividades seguem até domingo (17), com lançamento do PAT Cultura, roda de conversa, cinema, contação de histórias e apresentações musicais.

Programação

A programação inaugural incluiu apresentação dos Caboclos de Major Sales e o premiado espetáculo A Invenção do Nordeste, do Grupo Carmim de Teatro, aberto ao público. Inspirada na obra do historiador Durval Muniz de Albuquerque Jr., a montagem propõe uma reflexão crítica sobre a construção histórica dos estereótipos em torno da identidade nordestina e sobre as múltiplas formas de ser Nordeste.

Encerrando a noite de abertura, a cantora potiguar Roberta Sá realizou show gratuito na Praça Vigário Antônio Joaquim, em frente ao teatro.

Homenagem

O teatro homenageia Lauro Monte Filho (1933-1997), ator, escritor, advogado e um dos principais articuladores da cena cultural mossoroense nas décadas de 1950 e 1960. Fundador do Teatro de Estudantes Amadores de Mossoró (TEAM) e integrante da Academia Mossoroense de Letras, Lauro foi figura central na consolidação do teatro como expressão artística na cidade.

Sua trajetória agora dá nome a um equipamento que retorna renovado, mas preservando sua vocação original de ser espaço de encontro, formação e arte.

 

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