Os últimos tempos não tem sido fáceis para uma autoridade de alto escalão nas esferas de comando de Mossoró.
As noites tem sido cada vez mais mal dormidas. Os dias, longos, extenuantes, incertos. Mesmo que o trabalho seja suave. Apesar de todo o aparato que o poder garante.
Quase impossível manter uma rotina. Dormindo uma noite na casa de um amigo. Outra na residência de um parente. Uma terceira, no lar de um agregado. O objetivo é um só: evitar ter o sono interrompido por policiais que adoram acordar seus “convidantes” nas primeiras horas da manhã.
Figurando nas investigações como o operador do esquema criminoso, nosso personagem sabe o que fez. E não quer pagar pelo que não deveria ter feito.
O som de algemas o apavora. Pensar em tornozeleiras eletrônicas o amedronta. Tem dificuldade em encarar por três segundos os seguranças que o protegem. Em sua cabeça, emerge sempre a figura de quem pode impor restrições à sua liberdade. Não tem sido fácil. Mesmo solto, a autoridade já se sente na prisão. O medo não é sem razão.


