* Márcio Alexandre

 

Tem repercutido nas redes sociais um vídeo do deputado Coronel Azevedo (PSL) em que ele afirma que a Independência do Brasil foi proclamada por Pedro Álvares Cabral. E a repercussão, negativa, advém do erro cometido pelo parlamentar ao trocar o nome de quem deu, às margens do Ipiranga – segundo a versão oficial – o grito de Independência.

Pode ter sido um simples lapso. Para a maioria, em outra circunstância, passaria despercebido. Mas a declaração foi dada num vídeo em que o deputado conclamou a população a ir às ruas defender o seu mito, o presidente Bolsonaro.

A grande pachouchada de Azevedo não foi ter trocado o nome de Dom Pedro I por Pedro Álvares Cabral. Embora, lembremos, além de militar e deputado, o coronel é também advogado. Por essas circunstâncias, deveria ter mais cuidado com o que diz.

Sim, o deputado Azevedo chama as pessoas a ir às ruas no momento em que o seu mito instala no país a cizânia, a discórdia, a beligerância.

Como advogado, Azevedo esquece o compromisso que se deve ter com o cumprimento da lei. Como militar, deveria se preocupar com a segurança das pessoas. Como deputado, deveria atuar como conciliador nos instantes de incertezas, como no dia de hoje. Talvez seja exigir muito de quem não lembra sequer quem deu o proclamado grito de Independência.

Noutro vídeo, o deputado conclama: “juntos vamos celebrar a Independência do Brasil reafirmando o nosso integral compromisso com o presidente Jair Bolsonaro”. Difícil acreditar em discurso de patriotismo de quem defende um presidente que ameaça a tudo e a todos, que instala o caos, que sabota o país, que chama o povo ao cadafalso. Como se vê, a pachouchada é maior do que se imagina. O risco que ela representa, também.

 

* Professor e jornalista

 

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