Grupo Riachuelo amplia operações no Paraguai em busca de menor custo industrial
O Paraguai vem se consolidando como um dos principais destinos para empresas brasileiras que desejam reduzir custos de produção e ampliar competitividade no mercado internacional. Entre as companhias que passaram a investir no país vizinho está a Riachuelo, que levou parte de suas operações industriais para território paraguaio.
O movimento acompanha uma tendência crescente iniciada nos últimos anos. Desde 2007, mais de 200 empresas brasileiras transferiram parte de suas atividades para o Paraguai, atraídas principalmente pelos benefícios oferecidos pela chamada Lei de Maquila — regime criado para estimular a instalação de indústrias estrangeiras.
Além da Riachuelo, marcas como a Lupo também passaram a produzir no país. O modelo permite importar máquinas e matéria-prima com baixa tributação, fabricar os produtos em território paraguaio e exportar pagando impostos reduzidos.
A diferença tributária é um dos principais fatores apontados pelas empresas. Enquanto a carga tributária brasileira gira em torno de 32% do Produto Interno Bruto (PIB), no Paraguai ela fica próxima de 14%. Em alguns segmentos industriais, empresários relatam redução de até 40% nos custos operacionais.
Outro ponto que chama atenção do setor produtivo são as regras trabalhistas paraguaias. O custo de um trabalhador formal pode ser até 40% menor do que no Brasil. A jornada semanal permitida é de 48 horas, acima das 44 horas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) brasileira. No país vizinho também não existe FGTS, e o direito a 30 dias de férias integrais só é alcançado após 10 anos de vínculo empregatício.
Atualmente, empresas brasileiras representam cerca de 69% das indústrias instaladas sob o regime de incentivos paraguaios. O avanço dos investimentos estrangeiros tem contribuído para o crescimento econômico do país, que mantém expansão média de cerca de 4% ao ano, acima da média registrada em grande parte da América Latina.
Especialistas avaliam que a tendência deve continuar nos próximos anos, especialmente diante do cenário de busca por redução de custos e aumento da competitividade internacional por parte da indústria brasileira.



