Há uma máxima popular sempre recorrente quando gestores enfrentam momentos de crise: não há vácuo de poder. Na prática, sempre que alguém abre mão de mandar – ou é impedido de fazê-lo – outrem acaba fazendo. Em Mossoró, esse aforismo é o tema recorrente nos bastidores da política. Principalmente da Câmara Municipal.
A questão gira em torno, obviamente, de uma hipotética, provável e muito possível afastamento do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil). No centro de uma megaoperação que apura desvios e fraude na saúde, Allyson sabe que a situação vai ficar difícil. E que vídeos para atiçar militâncias e milícias não tem poder jurídico.
Um afastamento de Allyson do comando da prefeitura levaria a reboque o seu vice, Marcos Bezerra (PSD), homem de confiança do prefeito e, pelo que tem visto até aqui, parceiro de supostas negociatas. Pelo que a apuração feita até agora, Marcos figura como uma espécie de operador do esquema sob investigação.
Nesse caso, com os dois legalmente impedidos de seguir tomando de conta do cofre da prefeitura (o que, por enquanto, tem-se mostrado como algo extremamente temerário), a chefia do Executivo seria assumida pelo presidente do Legislativo, vereador Genilson Alves (União Brasil).
Nos bastidores da Câmara, os comentários que circulam com velocidade e entusiasmo dão conta de Alves está preparado para assumir a função. Mais do que isso: há quem aposte que isso vai acontecer. Em política, reafirmam, não há vácuo de poder.

