O azulão vale pelo canto, nunca pelo voo. Come semente que outro plantou e canta para marcar cerca. O azul dele nem é azul: é luz batendo na pena, efeito de ângulo. Vista por baixo, a pena é parda.
O bicudo é o primo de torneio. Também de gaiola, também mercadoria, também disputado por dono. E bicudo, no português de todo dia, é o que ficou torto.
O bacurau só levanta voo depois que a luz cai. Passa o dia colado ao chão, imóvel, confundido com a terra. Trabalha no escuro e só é notado quando o farol chega.
Cor emprestada, canto de cativeiro e voo que só acontece à noite. Não é bando, é viveiro. E viveiro tem dono.
Resta um detalhe que todo criador conhece e ninguém põe no cartaz: azulão engaiolado às vezes emudece. Muda de gaiola, muda de mão, e não canta mais. Quem escolhe o pássaro pelo canto devia saber o preço da gaiola.

