Todos na mesma gaiola, azulão, bicudo e bacurau

Uma mistura que tem tudo para não fazer bem ao povo

por Ugmar Nogueira
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O azulão vale pelo canto, nunca pelo voo. Come semente que outro plantou e canta para marcar cerca. O azul dele nem é azul: é luz batendo na pena, efeito de ângulo. Vista por baixo, a pena é parda.

O bicudo é o primo de torneio. Também de gaiola, também mercadoria, também disputado por dono. E bicudo, no português de todo dia, é o que ficou torto.

O bacurau só levanta voo depois que a luz cai. Passa o dia colado ao chão, imóvel, confundido com a terra. Trabalha no escuro e só é notado quando o farol chega.

Cor emprestada, canto de cativeiro e voo que só acontece à noite. Não é bando, é viveiro. E viveiro tem dono.

Resta um detalhe que todo criador conhece e ninguém põe no cartaz: azulão engaiolado às vezes emudece. Muda de gaiola, muda de mão, e não canta mais. Quem escolhe o pássaro pelo canto devia saber o preço da gaiola.

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