O Incluir, programa da prefeitura de Mossoró, que visou a seleção de pessoas para auxiliar crianças com necessidades educativas especiais, tem se revelado uma política ineficiente. Mais do que isso, um erro. Uma farsa.
Ao selecionar gente sem qualificação (exigindo-se apenas o Ensino Médio) e não lhes oferecer suporte mínimo, a gestão municipal de Mossoró está deixando essas pessoas em situação de vulnerabilidades, expostas a agressões, incidentes e acidentes. Dos mais simples aos mais graves.
Quem frequenta as escolas e quem trabalha nelas tem conhecimento de registros diários desses tipos de ocorrências. A Secretaria Municipal de Educação (SME) em total despreparo para lidar com as situações, tem preferido “abafar” os casos. E negligenciar possíveis soluções.
É o que está acontecendo, por exemplo, com uma auxiliar do Programa Incluir. Uma jovem perdeu dois dedos da mão esquerda quando tentava auxiliar um estudante com autismo. A criança descompensou, saiu da sala correndo e fechou a porta de forma inesperada, atingindo a mão dela. Parte de um dos dedos caiu no chão com o impacto da pancada. Parte de um segundo dedo teve que ser amputada.
O episódio revela a precariedade das condições em que a SME coloca os auxiliares do Programa Incluir para atuar: sem suporte, sem proteção, sem orientação.
Os dias seguintes tem mostrado também o quanto o contrato que esses auxiliares precisam assinar são precários. A jovem que perdeu os dedos não tem tido qualquer assistência do município. Nem orientação sobre benefícios previdenciários.
O fato aconteceu semana passada e, além de não adotar providências, a gestão municipal o escondeu o corrido da sociedade para dar ares de normalidade ao caso, gravíssimo.
O Boca da Noite tentou ouvir da SME a versão sobre o ocorrido. O secretário municipal de Educação, Leonardo Dantas, não atendeu nossas ligações nem respondeu nossas mensagens enviadas em aplicativo de celular.



