As perguntas que Morgana Dantas se recusa a responder

Quando quem é investigada se recusa a esclarecer, acusar parece não ser mais do que cortina de fumaça

por Ugmar Nogueira
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Acusar, atacar, achacar, xingar, ameaçar. Esses são alguns dos “predicativos” que o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil) tem. E parece ser apenas esses. E eles são tão fortes que contagiaram todos os que fizeram parte do seu governo. Como se ele ainda fosse o chefe do Executivo. Ou como se mandasse em todos os que estão no governo que não é mais seu, mas muitos acham que é. Inclusive o prefeito atual, Marcos Bezerra (Republicanos).

Esses verbos estão tão impregnados na mente dos que ocuparam secretarias na gestão Allyson e seguem hoje no governo Bezerra, que parece não haver outro meio deles se comunicarem com as pessoas que não seja acusando, atacando, achacando, xingando, ameaçando.

O mais recente vídeo da ex-, atual e futura ex-secretária de Saúde de Mossoró, enfermeira Morgana Dantas, é uma prova disso. Morgana, como se sabe, é uma das investigadas na Operação Mederi. Investigação que apontou um roubo milionário na Saúde. Inclusive no período que Morgana foi secretária. Depois, elas saiu para ser ex, e agora voltou para ser atual. Com as mesmas práticas de antes. Usando os mesmos verbos de sempre.

Pois bem. Morgana não se faz de rogada. Com a Polícia Federal (PF) seguindo seus passos e colhendo suas digitais para saber até onde andou no esquema criminoso e até onde suas mãos tocaram chegar no dinheiro roubado, a ex e atual secretária fez um vídeo para atacar, ameaçar, acusar, xingar e achacar o médico Alexandre Câmara, um dos homens mais sérios do Brasil, um dos políticos mais honestos do país.

Alexandre, como se sabe, não foi acordado pela PF, não é acusado de nada, não figura nos procedimentos investigatórios da Polícia nem de quaisquer outras instituições que trabalham no encalço de gestores desonestos ou suspeitos.

O secretário de Saúde do Rio Grande do Norte não faz de sua atuação palanque para se eleger nem eleger quem ele admira. Não usa o cargo como escudo para atacar os outros. Não transformou a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) em bunker de organização criminosa. Morgana sabe onde tudo isso aconteceu e acontece.

Nervosa, chorosa, copiosa, assustada e assustadora, Morgana poderia baixar a fleuma e responder a perguntas que todo mossoroense gostaria de saber as respostas.

Morgana sabia da existência de uma organização criminosa que roubou milhões de reais da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Mossoró? Os larápios andaram raspando os cofres da Saúde a partir de 2022. Ela esteve no cargo entre 2021 e 2024. Ele não soube por incompetência ou foi orientada a não saber? Um secretário de Saúde é competente quando rouba ou deixa roubar? Ou competente é quando austero, diligente e probo? Seu atual chefe era integrante da gestão da Saúde na época da roubalheira. Ele não ajudou em nada para evitar que tanto dinheiro dos mossoroenses fosse levado pelos gatunos? Como era a relação da SMS com os donos da Dismed? A secretária teve tratativas com Oseas Monthalgan, Moab Soares ou Aldo Araújo?

Lançamos mão de um princípio constitucional para assegurar-lhe a presunção de inocência. Assim considerando-a, porque Morgana não fez um vídeo público com esclarecimentos sobre a Operação Mederi. Mesmo que ela não figurasse como investigada, é seu dever como gestora pública primar pela transparência. Consideramos que Morgana conheça também esse princípio, sob o qual a gestão pública deva se assentar. E do qual o gestor não deve se afastar nem um segundo. Principalmente para evitar que roubem durante sua atuação.

Responder a esses questionamentos, adotar essas posturas, zelar por esses princípios, não são apenas um roteiro de quem é um bom gestor. É uma obrigação de quem lidou com o dinheiro do povo e parece não ter tido o zelo indispensável, o cuidado necessário, a atenção precavida. São predicativos que se espera de um bom gestor. Mais produtivo do que acusar, atacar, achacar, xingar, ameaçar. O uso recorrente desse tipo de artifício se confunde com prática rasteira para fugir das responsabilidades, desvirtuar o debate e proteger quem comete crime.

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