Operação revela esquema de desvio de drogas e leva delegado e policiais à prisão na Paraíba

Investigação teve início após denúncias feitas por traficantes e aponta uso da estrutura policial para obtenção de vantagens criminosas

por Ugmar Nogueira
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Uma investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba resultou na prisão de um delegado e de agentes de segurança suspeitos de integrar uma organização criminosa infiltrada nos órgãos de segurança pública do estado.

A ação faz parte da Operação Perfidus, que apura o desvio de drogas apreendidas, extorsão de traficantes e o uso de informações sigilosas para beneficiar organizações criminosas.

De acordo com o secretário de Estado da Segurança e da Defesa Social da Paraíba, Jean Nunes, as investigações começaram após denúncias feitas pelos próprios traficantes. Segundo ele, criminosos passaram a relatar que carregamentos de drogas estavam sendo desviados por integrantes do grupo investigado.

As denúncias levaram à abertura das apurações que identificaram um suposto esquema criminoso envolvendo agentes públicos que utilizavam suas funções para obter vantagens financeiras ilegais.

Estrutura policial era utilizada para ações clandestinas

Segundo o Ministério Público da Paraíba e a Polícia Civil, os investigados não utilizavam a estrutura do Estado para combater o tráfico de drogas, mas para realizar operações clandestinas e desviar entorpecentes.

As investigações apontam que o grupo recebia informações privilegiadas sobre imóveis, veículos e rotas utilizadas por organizações criminosas para armazenamento e transporte de drogas.

Com base nesses dados, os suspeitos realizavam abordagens e incursões utilizando a condição funcional de policiais para apreender carregamentos que posteriormente seriam revendidos ou utilizados como instrumento de extorsão contra traficantes.

Movimentação milionária chama atenção dos investigadores

Durante coletiva sobre a Operação Perfidus, o delegado-geral da Polícia Civil da Paraíba, André Rabelo, revelou que alguns dos policiais presos movimentaram aproximadamente R$ 5 milhões cada nos últimos anos.

A movimentação financeira considerada incompatível com os rendimentos dos investigados passou a integrar o conjunto de provas analisadas pelas autoridades.

Além do desvio de drogas, a investigação também apura o vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais para integrantes de facções criminosas.

Segundo os investigadores, o repasse dessas informações permitia que criminosos evitassem prisões e escapassem de ações de repressão realizadas pelas forças de segurança.

Investigação continua

A Operação Perfidus segue em andamento e novas diligências não estão descartadas. O Ministério Público e a Polícia Civil continuam analisando documentos, movimentações financeiras e outras provas para identificar a extensão do esquema criminoso e possíveis novos envolvidos.

O caso é considerado um dos mais graves já investigados recentemente pela segurança pública paraibana por envolver agentes responsáveis justamente pelo combate ao crime organizado.

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