Carregando uma mistura de sensibilidade e denúncia social, o espetáculo Aparecida, da Companhia Escarcéu de Teatro, ocupou o palco do Teatro Lauro Monte Filho, na sede do Banco do Nordeste Cultural em Mossoró. As atrizes Tony Silva e Lenilda Santos se uniram na noite de 23 de maio para entregar uma experiência cultural que leva o público a refletir sobre o racismo estrutural presente na realidade diária.
A peça narra a trajetória de Aparecida, uma mulher marcada pela vulnerabilidade social e pela invisibilidade impostas pelo racismo. Acompanhada apenas por seu papelão, boneca e bolsas, a personagem revela aos poucos suas vivências, em um formato que varia entre desabafos e preces.
Logo em seu início, Tony Silva pergunta à platéia: quem de vocês se identifica como mulher negra? Essa pergunta vai além de uma busca por dados. As vivências esquecidas historicamente estão em palco, sendo mostradas para um público que pode se reconhecer ali.
“Dois corpos negros de mulheres incríveis, atrizes com muita presença de palco, expressando experiências pessoais e também universais”. Foram as palavras utilizadas pela atriz e cantora Bia Ottoboni, que vivenciou a peça na platéia.
Mas o espetáculo vai além da denúncia: transforma essa figura comum, tantas vezes ignorada pelas ruas do Brasil, em algo maior. Nas palavras de Bia Ottoboni: “Transformaram uma pessoa comum, muito rejeitada pelo racismo na sociedade, em uma entidade que pode ensinar muito à sociedade brasileira aquilo que agente ainda não aprendeu depois de muitos e muitos anos: o respeito básico ao que é humano.”
O técnico de som Medson Rigne, especialista em áudio e som direto para cinema, também estava na plateia e não poupou palavras ao descrever o impacto da noite.
“Essa apresentação com Tony e Lenilda é literalmente uma paulada na sociedade, para que a gente realmente acorde, pense e reflita muito no que a gente está fazendo hoje em dia, porque o racismo continua sendo estrutural.”
Ao se colocar como humano e também negro, Medson destaca a importância de duas atrizes relevantes no cenário estarem levantando um tema tão polêmico e sensível.
Ressignificar vidas violentadas diariamente – Para a atriz Lenilda, uma das protagonistas do espetáculo, todas as mulheres se
encontram em uma situação de vulnerabilidade, ao viver em um sistema patriarcal.
Em uma realidade cercada por misoginia e feminicídios, Aparecida traz de maneira visual as violências sofridas por mulheres negras.
Tony complementa falando sobre a carga emocional do espetáculo. “A gente vai devagar, só com papelão, mas a pontada é de agulha”, diz a atriz. A emoção transmitida pela arte leva o público à reflexão sobre os dias passados e atuais.
Ao final da noite, Bia Ottoboni sintetizou o sentimento coletivo que tomou conta da plateia após o espetáculo. A artista expressa que “sair daqui é sair com o coração apertado, por a gente ainda viver essa realidade, mas cheio de alegria por poder ver que, aos pouquinhos, há passos muito pequenos, mas a gente está construindo um novo horizonte.”
28/05/2026
Médico é condenado por homicídio culposo por negligência e imprudência em atendimento a adolescente
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) obteve a condenação do médico Júlio César de Medeiros Dantas pelo crime de homicídio culposo por negligência e imprudência em atendimento a um adolescente. O processo criminal tramitou na Primeira Vara Criminal de Parnamirim. A atuação do MPRN resultou na responsabilização do profissional pela morte do estudante Bruno Luciano Lucena de Souza, ocorrida em abril de 2018.
A denúncia apresentada pelo MPRN relatou que o paciente buscou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento de Nova Esperança com sintomas graves, como dificuldade para respirar, febre e histórico de desmaio. O jovem recebeu uma classificação de risco na cor laranja, que indicava um caso muito urgente. O médico acusado realizou o atendimento inicial na noite do dia 25 de abril daquele ano.
O profissional de saúde prescreveu soro fisiológico, corticoide e analgésico, liberando o adolescente cerca de duas horas após a sua entrada na unidade de saúde. O médico não solicitou exames de imagem ou de laboratório para avaliar o quadro respiratório do paciente. A liberação ocorreu sem que fossem registradas orientações para o acompanhamento em casa ou uma reavaliação detalhada dos sinais vitais.
Na manhã seguinte, o adolescente apresentou uma piora severa em seu estado de saúde, com extremidades arroxeadas e tosse com sangue. Ele foi levado novamente para a mesma Unidade de Pronto Atendimento, onde foi atendido por outro médico da equipe. O jovem precisou receber suporte respiratório por meio de intubação e aguardou uma vaga em leito de UTI, mas faleceu no início da tarde do mesmo dia.
Exames complementares realizados posteriormente identificaram que o paciente estava infectado pelo vírus Influenza A, conhecido como H1N1. A infecção provocou uma síndrome respiratória aguda que evoluiu para um choque séptico e insuficiência respiratória, causando o óbito. O MPRN instaurou um procedimento investigatório criminal para apurar a conduta do profissional que realizou o primeiro atendimento.
Perícia – Para embasar a sua atuação e comprovar as falhas no atendimento, o MPRN contratou uma perícia médica terceirizada junto à empresa Totallife. O parecer médico pericial emitido pelos especialistas apontou que o profissional agiu com negligência ao deixar de utilizar os meios de diagnóstico disponíveis. A perícia técnica contratada indicou também imprudência na concessão de uma alta médica prematura.
O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte também analisou o caso por meio de um processo ético-profissional. A Primeira Câmara de Julgamento do órgão de classe deliberou de forma unânime pela culpabilidade do médico. O tribunal de ética constatou a infração aos artigos que proíbem causar dano ao paciente por omissão e deixar de usar os meios necessários para o tratamento.
Diante de todas as provas apresentadas pelo MPRN, a Justiça julgou a ação procedente. A sentença fixou a pena definitiva em um ano e quatro meses de detenção em regime inicialmente aberto. Pela legislação, a pena privativa de liberdade foi substituída por duas restritivas de direitos, consistentes em prestação de serviços comunitários e pagamento de cinco salários-mínimos. A sentença ainda pode ser objeto de recurso das partes.
Prefeito Lula Soares sanciona reajuste salarial para servidores da saúde e assistência social em Assu
O prefeito de Assú, Lula Soares, sancionou nesta segunda-feira (25) duas leis complementares que garantem reajuste salarial e atualização das tabelas dos planos de carreira dos servidores municipais das áreas da saúde e assistência social.
As medidas foram aprovadas anteriormente pela Câmara Municipal de Vereadores e serão publicadas no Diário Oficial do Município. Segundo a gestão municipal, os reajustes possuem efeito financeiro retroativo a partir de 1º de maio de 2026.
A Lei Complementar nº 213 beneficia os profissionais vinculados à Secretaria Municipal de Assistência Social. O texto estabelece uma revisão anual de 8,59% aplicada integralmente sobre a base inicial da carreira.
Já a Lei Complementar nº 214 contempla os profissionais da saúde do município com reajuste anual de 6,8%. O percentual será implementado em duas parcelas sucessivas e cumulativas de 3,4%, nos meses de maio e junho de 2026.
De acordo com a Prefeitura do Assú, os recursos utilizados para garantir o pagamento dos reajustes estão previstos em dotações específicas do Orçamento Geral do Município.
Entenda os reajustes
Assistência Social
A Lei Complementar nº 213 garante reajuste de 8,59% sobre a base inicial da carreira dos profissionais da assistência social.
Saúde
A Lei Complementar nº 214 estabelece reajuste de 6,8% para os servidores da saúde, dividido em duas parcelas cumulativas de 3,4%.
Vigência
As duas leis entram em vigor na data da publicação oficial, com efeitos financeiros retroativos ao dia 1º de maio de 2026.
O Governo do Rio Grande do Norte publicou nesta quarta-feira (27), no Diário Oficial do Estado (DOE), Resultado Final do concurso público para o cargo de Auditor Fiscal da
Receita Estadual, da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz).
A secretária de Administração Jane Araújo, destacou a importância desse momento para o fortalecimento da Sefaz e para a modernização da administração tributária do estado. “Este é um passo extremamente importante a capacidade do Estado de continuar garantindo recursos essenciais às políticas públicas que chegam à população”, disse.
A seleção marca a retomada dos concursos para a carreira de Auditor Fiscal no Estado. É importante destacar que o último foi realizado em 2005, com convocações até 2009, ou seja, a última nomeação ocorreu há 16 anos, isso reforça a importância da seleção para o fortalecimento da administração tributária estadual.
“Hoje vivemos um momento importante para o RN e, de forma muito especial, para a Secretaria de Estado da Fazenda. Após mais de 20 anos da realização do último concurso público para Auditor Fiscal da Receita Estadual, estamos publicando o resultado final de um certame aguardado com enorme expectativa pela sociedade.” – Jane Araújo
A Secretária Jane Araújo também destaca que conhece de perto a importância estratégica da administração tributária para o desenvolvimento do Estado e sabe o quanto a recomposição e o fortalecimento dos quadros da fiscalização são fundamentais para assegurar eficiência, justiça fiscal e sustentabilidade das contas públicas.
Veja a lista aqui https://drive.rn.gov.br/index.php/login
Câmara aprova PEC do fim da escala 6×1 e redução da jornada para 40 horas semanais
A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas sem redução salarial. Após aprovação na Câmara, o texto segue agora para análise do Senado Federal.
A proposta é considerada uma das maiores mudanças nas relações trabalhistas dos últimos anos e pode impactar diretamente cerca de 16 milhões de trabalhadores em todo o país.
Pelo texto aprovado, os trabalhadores passarão a ter direito a pelo menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos. A redução da carga horária será realizada em duas etapas. Nos primeiros 60 dias após a promulgação da PEC, haverá redução imediata de duas horas na jornada semanal. As outras duas horas restantes deverão ser reduzidas ao longo dos 12 meses seguintes.
A proposta também mantém instrumentos já existentes na legislação trabalhista, como acordos coletivos, banco de horas e jornadas especiais, incluindo a escala 12×36. Outro ponto previsto no texto permite maior flexibilidade na compensação de horários, desde que seja garantida a média mínima de duas folgas semanais ao trabalhador.
Ficam fora das novas regras trabalhadores com ensino superior e remuneração acima de aproximadamente R$ 21 mil mensais.
Debate divide opiniões
Os defensores da PEC afirmam que a redução da jornada poderá melhorar a qualidade de vida, diminuir problemas relacionados à saúde mental e aumentar a produtividade no ambiente de trabalho.
Um levantamento realizado pela Reconnect Happiness Network com 250 empresas que adotaram modelos de jornadas reduzidas apontou queda de 30% nos índices de ansiedade entre funcionários e melhora de 56% no desempenho das atividades profissionais.
Por outro lado, representantes do setor produtivo alertam para os impactos econômicos da medida. Entidades empresariais estimam aumento de até R$ 158 bilhões nos custos da folha de pagamento das empresas brasileiras.
Entre as principais preocupações apontadas pelos críticos estão o possível aumento da inflação, avanço da informalidade, substituição de trabalhadores por automação e redução de vagas para profissionais mais velhos.
Outro ponto de debate é a rapidez da implementação. Países como México, Colômbia e Chile adotaram processos semelhantes de forma gradual, ao longo de quatro a cinco anos, enquanto o modelo brasileiro prevê uma transição mais acelerada.


