This image illustrates the phase "throwing money down the drain. Several Australian $100 notes are place in the drain of a stainless steel sink. Horizontal photo with space for copy. Some cutlery and a glass are also in the sink.

Descobertas da Operação Mederi aproximam Allyson Bezerra da cena do crime

Benzetacil, servidoras “presenteadas” e homem de confiança com dinheiro: um caldo difícil de digerir

por Ugmar Nogueira
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Ficam cada vez mais entrelaçadas as relações do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil) com o esquema de desvio de dinheiro da saúde do município. A cada nova descoberta, a situação do gestor fica ainda mais complicada, sugerindo sua proximidade com a cena do crime. Principalmente pela relação próxima dele com alguns suspeitos, com outros envolvidos e com alguns que estão no meio das investigações da Polícia Federal (PF).

Três fatos recentes anunciados pela imprensa, principalmente pelo Blog do Dina e Diário do RN apontam nessa direção e é quase impossível desviar o rumo das coisas.

Quarta-feira (25/2), por exemplo, o que dominou o noticiário foi a revelação de que uma servidora da gestão do prefeito Allyson Bezerra recebeu R$ 430 mil da Dismed. A Dismed é a empresa que vendia remédios à prefeitura de Mossoró, entregava apenas metade do valor contratado e dividia o produto do roubo com membros da organização criminosa. Para a Polícia Federal, Allyson Bezerra está no topo desse esquema,

Uma revelação surpreendente e que parte da mídia não deu muita atenção (à exceção do Diário do RN) foi a de que Marianna Almeida (PSD), prefeita de Pau dos Ferros, também contratou com a Dismed. O problema? Ela comprou benzetacil para toda a população da cidade. Foram adquiridas 29 mil ampolas de Benzetacil 1.200.000 UI, ao custo de R$ 152 mil, além de 45 mil ampolas de Dexametasona. Pau dos Ferros tem população estimada de 30 mil pessoas.

Mas tem algo mais instigante na relação Marianna Almeida x Dismed x Allyson Bezerra. É que a prefeita de Pau dos Ferros, com relação política de proximidade com a governadora Fátima Bezerra (PT), inclusive sendo cogitada a compor como candidata a vice a chapa governista a ser encabeçada por Cadu Xavier, de repente se “bandeou” para o lado do prefeito de Mossoró. Claro que o fato de ambos (Marianna e Allyson) estarem com relações suspeitíssimas com a Dismed é pura coincidência.

O segundo fato intrigante é a revelação feita dando conta e que uma servidora da prefeitura de Mossoró recebeu R$ 430 mil da Dismed (sempre ela). A pessoa em questão atuou como ocupante de cargo comissionado, portanto, de confiança do gestor. Claro: outra grande coincidência.

Um terceiro fato interessante foi Almir Mariano, homem de confiança de Allyson Bezerra ter sido alvo da Operação Mederi (que investiga a roubalheira toda) e durante a batida dos policiais terem sido encontrados mais de R$ 57 mil em dinheiro em sua casa. As notas não foram encontradas em caixas de isopor porque aí seria coincidência demais.

Não é coincidência, porém, que o prefeito siga silente. Que não venha a público dizer que estranha que alguém de sua gestão receba centenas de milhares de reais da empresa investigada por roubar a prefeitura que ele comanda. E que durante a investigação do roubo alguém tão íntimo seu seja flagrado com tanto dinheiro em espécie.

Tem muita coisa nesse caldeirão de revelações. Claro que o resultado é um caldo difícil de digerir.

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