Estudo aponta que declínio funcional ligado ao envelhecimento começa mais cedo no Brasil

Pesquisa com mais de 30 mil pessoas mostra que brasileiros podem apresentar perda de autonomia cerca de uma década antes que europeus

por Ugmar Nogueira
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O envelhecimento não ocorre da mesma forma em todos os lugares. Um estudo que analisou dados de mais de 30 mil pessoas com 50 anos ou mais no Brasil e na Europa identificou uma diferença importante no início do declínio funcional relacionado à idade.

Segundo a pesquisa, o risco de perda de autonomia começa, em média, cerca de uma década mais cedo entre os brasileiros. No Brasil, o declínio funcional aparece com maior intensidade na faixa dos 60 aos 69 anos, enquanto na Europa o risco se torna mais evidente entre os 70 e 79 anos.

O declínio funcional está relacionado à redução da capacidade de realizar atividades do cotidiano. Isso inclui desde tarefas básicas, como tomar banho, vestir-se e alimentar-se, até atividades mais complexas, como cozinhar, administrar dinheiro e utilizar medicamentos corretamente.

Desigualdades podem influenciar o envelhecimento

Os pesquisadores relacionam os resultados à chamada Teoria da Desvantagem Cumulativa, segundo a qual desigualdades acumuladas ao longo da vida podem produzir impactos maiores durante o envelhecimento.

Entre os fatores associados estão pobreza, menor escolaridade e dificuldades de acesso a serviços de saúde. Essas condições, mais presentes entre determinados grupos da população brasileira, podem contribuir para uma perda mais precoce da independência funcional.

A escolaridade apareceu como um importante fator de proteção, principalmente entre os brasileiros. De acordo com os dados analisados, quanto maior o número de anos de estudo, menor tende a ser o risco de apresentar limitações funcionais.

Memória apresenta comportamento semelhante

Um dos resultados que chamou a atenção dos pesquisadores foi o impacto da memória. Diferentemente do declínio funcional, os problemas relacionados à memória afetaram brasileiros e europeus de maneira semelhante.

O resultado pode indicar que determinados aspectos do envelhecimento cognitivo apresentam características mais universais, independentemente do contexto socioeconômico e geográfico.

Estudo não comprova relação de causa e efeito

Os pesquisadores fazem uma ressalva importante: o estudo identifica associações e correlações, mas não permite afirmar que pobreza, escolaridade ou outros fatores sejam, isoladamente, a causa direta do declínio funcional mais precoce no Brasil.

Ainda assim, os resultados reforçam a importância de políticas públicas voltadas ao envelhecimento saudável. Entre as estratégias defendidas pelos autores estão o acompanhamento precoce da capacidade funcional, a ampliação do acesso à saúde e ações que reduzam desigualdades ao longo da vida.

A expectativa é que medidas de prevenção e acompanhamento possam contribuir para retardar o surgimento de incapacidades e ampliar o período de vida com autonomia e independência.

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