MPRN recomenda avaliação de divisão de vagas por gênero em concurso para policial penal do RN

Órgão orienta que Estado analise necessidade de retificar edital com base nas demandas do sistema prisional e na legislação vigente

por Ugmar Nogueira
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O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) recomendou à Secretaria Estadual da Administração (Sead) que avalie a necessidade de retificar o edital do concurso público para policial penal, a fim de analisar a possibilidade de divisão das vagas por gênero.

A recomendação considera as características das atividades desempenhadas pelos policiais penais e as necessidades operacionais do sistema prisional potiguar. Segundo o MPRN, a definição das regras do certame deve levar em conta critérios técnicos, legais e a realidade das unidades prisionais do estado.

De acordo com o documento, embora a Constituição Federal assegure a igualdade de acesso aos cargos públicos, o Supremo Tribunal Federal (STF) admite exceções quando houver fundamentação baseada em critérios proporcionais, razoáveis e relacionados às atribuições do cargo.

Contato direto com pessoas privadas de liberdade

Na recomendação, o Ministério Público destaca que a função de policial penal exige contato físico frequente com os internos durante atividades como revistas pessoais, conduções e contenções.

Além disso, a legislação de execução penal estabelece que, em regra, esse tipo de procedimento seja realizado entre agentes e pessoas privadas de liberdade do mesmo gênero, como forma de preservar a intimidade e a dignidade dos custodiados.

Segundo o MPRN, a eventual separação de vagas pode ser justificada por necessidades específicas da administração penitenciária, como a criação de novos presídios femininos, alas destinadas à população transfeminina ou o reforço de equipes que atuam em unidades masculinas.

Dados do sistema prisional

O levantamento realizado pelo Ministério Público aponta que o último concurso para policial penal no Rio Grande do Norte, realizado em 2017, adotou a divisão de vagas por gênero, destinando 79% das vagas para homens e 21% para mulheres.

O estudo também identificou que, entre 24 editais analisados em diferentes estados brasileiros, 17 utilizaram o mesmo modelo de distribuição.

Atualmente, o sistema prisional do Rio Grande do Norte possui 8.277 pessoas privadas de liberdade, das quais 95% são homens e 5% mulheres. Já o quadro de policiais penais em atividade é composto por 1.381 servidores, sendo 77% do gênero masculino e 23% do gênero feminino.

Prazo para resposta

O MPRN informou que a recomendação foi expedida após constatar que o processo administrativo de elaboração do novo concurso não apresentou justificativa detalhada para a decisão de publicar o edital sem a separação de vagas por gênero.

O órgão orienta que a comissão organizadora analise formalmente a questão à luz dos dados do sistema penitenciário e da necessidade do serviço público.

A Secretaria Estadual da Administração terá prazo de 10 dias para informar ao Ministério Público se acatará a recomendação e quais providências administrativas serão adotadas em relação ao edital.

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