O Dia Mundial da Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa é lembrado na próxima segunda-feira (15/6) e foi oficialmente reconhecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2011. De acordo com o Ministério da Saúde, o tipo mais comum é a negligência, quando os responsáveis pela pessoa idosa deixam de oferecer cuidados básicos.
A presidenta do Conselho Regional de Serviço Social do Rio Grande do Norte (CRESS-RN), Ana Lima, explica que as violências contra a pessoa idosa assumem múltiplas expressões e, muitas vezes, permanecem invisibilizadas no cotidiano social e familiar.
A conselheira, que também atua profissionalmente em Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), ressalta que, além da negligência e abandono, as situações mais frequentes são de violência psicológica, manifestada por meio de humilhações, ameaças, isolamento, infantilização e desrespeito à autonomia da pessoa idosa.
Casos de violência patrimonial e financeira, especialmente quando familiares ou terceiros se apropriam indevidamente de aposentadorias, benefícios ou bens, também são identificados.
“Em menor visibilidade, mas igualmente graves, estão as violências físicas e institucionais, que podem ocorrer quando serviços públicos ou privados dificultam o acesso a direitos, submetem pessoas idosas a tratamentos desrespeitosos ou reproduzem práticas discriminatórias baseadas no idadismo”, explica a presidenta.
“É importante compreender que essas violências não decorrem apenas de relações interpessoais, mas também das desigualdades sociais, da insuficiência de políticas públicas e da persistência de uma cultura que desvaloriza o envelhecimento”, reforça.
A atuação do Serviço Social, nestas situações, ocorre a partir da perspectiva da proteção integral e da garantia de direitos. Inicialmente, busca-se realizar uma escuta qualificada, acolhedora e livre de julgamentos, reconhecendo a pessoa idosa como sujeito de direitos e respeitando sua autonomia, seus desejos e suas particularidades.
“A partir da identificação da situação de violência, o Serviço Social realiza estudos e avaliações sociais, orienta sobre direitos e acessa os mecanismos de proteção existentes”, afirma Ana Lima.
“Além do atendimento individual, a/o assistente social atua nas dimensões coletiva e preventiva, desenvolvendo ações educativas, fortalecendo vínculos familiares e comunitários, participando de espaços de controle social e incidindo politicamente pela ampliação das políticas públicas voltadas ao envelhecimento”, completa.
O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e os CRESS têm defendido historicamente uma concepção de envelhecimento vinculada aos direitos humanos, à cidadania e à justiça social. Entre suas principais bandeiras, está a defesa da seguridade social pública, universal e de qualidade, compreendendo que políticas de saúde, assistência social e previdência são fundamentais para assegurar proteção social à população idosa.
As entidades também se posicionam em defesa da implementação efetiva do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003), do fortalecimento da Política Nacional da Pessoa Idosa e da ampliação do financiamento das políticas públicas destinadas a esse segmento.


