Entrevista sem expor contradições é assessoria de imprensa. Infelizmente, é assim que tem agido quase todos os jornalistas que entrevistam o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil) a cujos materiais (ruins em sua maioria) o povo tem tido acesso.
E isso fica claro porque, comprovadamente, a maioria dos profissionais tem engolido as mentiras do ex-prefeito. E sem fazer qualquer contraponto. Sem fazer a pergunta básica: qual o fundamento da afirmativa ou qual a fonte do dado apresentado.
Allyson, mentiroso como é, disse por exemplo, que as empresas estavam saindo do Rio Grande do Norte e migrando para o Ceará e a Paraíba. Não citou uma sequer e, obviamente, também não informou sua fonte. Ele mesmo se desmentiu em seguida ao postar uma visita sua a uma empresa apoiada pelo PROEDI, programa criado pela governadora Fátima Bezerra (PT) justamente para atrair novas empresas ao RN e apoiar as que aqui já estão.
O entrevistador viu a mentira como piada e achou engraçado, embora não tivesse graça alguma. Sim, porque mentir nesse nível afeta a confiança de quem algum dia queira vir investir por aqui ou continuar investindo.
Esse, infelizmente, é um dos problemas menores. O absurdo maior é que Allyson é um mentiroso contumaz. Mas não apenas por mentir, como o faz a todo instante. É que ele acusa sem provas, distorce, inventa, desvia o foco (parece que dinheiro também), manipula. Enfim, é um risco à integridade da verdade e das pessoas.
Será uma vergonha para o Rio Grande do Norte eleger alguém que só sabe mentir. Desonesto intelectualmente (e parece que também financeiramente). Eleger alguém cuja plataforma seja apenas a mitomania. Que tenha como discurso apenas de acusar os outros daquilo que ele mesmo faz.
Allyson não é um inocente. É alguém que é acusado de ter manipulado relatórios financeiros para conseguir empréstimos bancários. Que é acusado de ter bagunçado as contas da prefeitura de Mossoró, alterando planilhas, aumentando créditos suplementares ao arrepio da lei.
Allyson vai às cidades mostrar buracos nas estradas, que tem, é verdade. E sempre teve. No governo de José Agripino (seu mentor de agora), na gestão de Robinson Faria (de péssima gestão lembrada pelos potiguares) e também agora na atual gestão. E não tem mais porque o atual governo recuperou centenas de milhares de quilômetros. Uma fissura histórica que somente tem sido tratada nos últimos anos.
Ao dar entrevistas mostrando esses buracos, Allyson não é questionado sobre ter deixado Mossoró quase submersa em dias de chuva. Com ruas mais esburacadas que a cratera lunar. Com obras de má qualidade (inclusive o Anel Viário), que não tem dois meses de inaugurado, mas que já aparesenta problemas como se estivesse sendo utilizado há décadas.
Os jornalistas precisam ter um mínimo de consciência de que estão entrevistando um candidato a governador, que está em primeiro lugar na maioria das pesquisas. E que mesmo nessa condição, não lhe perguntam sobre a Operação Mederi (em que Allyson é apresentado pela Polícia Federal como o líder de um esquema criminoso que desviou milhões de reais da saúde). Não perguntam sobre o Nogueirão, cuja Parceria Público-Privada é questionada pelo TCE porque é inviável financeiramente.
Não demonstram o mínimo interesse de questionar sobre as relações de Allyson com Abraão Linconl, também acusado de desviar milhões de reais do dinheiro do povo, principalmente do salário dos aposentados, tendo sido preso por isso.
Não perguntam de onde vem o dinheiro para bancar sua estrutura pessoal e de campanhas (sua e da ex-primeira-dama) já que ambos estão sem nenhum tipo de renda (o ex-prefeito está em licença sem vencimentos de seu vínculo laboral na Ufersa).
Não perguntam como será a relação dele com a imprensa caso venha a ser governador. Se será nos mesmos moldes como ele fez em Mossoró, em que transformou a Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) em cabide de empregos, com quase uma centena de jornalistas atuando apenas como fazedores de releases. Allyson não aceita a imprensa livre, dando entrevistas apenas aos que não lhes fazem as perguntas que precisam ser feitas. Sem responder aos questionamentos que são apresentados nas apurações das graves denúncias que pesaram contra a sua administração. E, quando não atinge seu intento de desmoralizar os órgãos de imprensa sérios, recorre à intimidação judicial, com demandas em série visando asfixiar a liberdade de imprensa e de expressão. Não perguntam nada disso, embora isso também lhes diga respeito.
Allyson finge agir como um bobo da corte que age para divertir tolos, mas parece um bandido enganando inocentes. Os espectadores.
Já os jornalista tem mais jeito de cúmplices. Sentem-se mais confortáveis em engolir as lorotas ilusórias, as manipulações vernaculares, os achaques criminosos a adversários. Allyson, como extremista que é, e fascista que não deixar de parecer, segue mentindo sem ser incomodado, repetindo suas próprias mentiras até que elas virem verdade, como fazia o ministro criminoso do governo mais cruel que a Alemanha já teve.
Entrevista sem expor contradições é assessoria de imprensa. E não há nenhum problema nisso. Desde que o povo saiba que o jogo ali é arranjado, as jogadas são ensaiadas e o juiz é comprado.


