O mercado de suplementos alimentares passa por uma nova transformação. Depois do crescimento da procura por whey protein, impulsionado também pela popularização das chamadas canetas emagrecedoras, o colágeno vem ganhando espaço entre consumidores e empresas do setor.
A mudança no comportamento do público aumentou o valor comercial de uma matéria-prima que, até pouco tempo, era considerada de baixo aproveitamento pela indústria. Agora, empresas apostam na expansão da produção de colágeno e nos chamados peptídeos de colágeno, utilizados em alimentos, bebidas e suplementos.
Grandes empresas ampliam investimentos
Entre os movimentos recentes está a estratégia da JBS. Em 2022, a empresa criou uma companhia voltada ao mercado de colágeno dentro de um plano de investimentos estimado em R$ 400 milhões. A empresa já trabalha na expansão de sua atuação no segmento.
Outro movimento relevante ocorreu com a MBRF, companhia responsável por marcas como Sadia e Perdigão. A empresa desembolsou R$ 312,5 milhões por 50% de uma marca relacionada ao mercado de colágeno.
A estratégia faz parte de um projeto para ampliar a participação no setor e alcançar uma posição de liderança global na produção desse tipo de proteína.
Colágeno deixa de ser descartado
O avanço do mercado também representa uma mudança na forma como a indústria aproveita a matéria-prima. O colágeno, que anteriormente poderia ser descartado ou ter menor valor comercial, passou a ser visto como um produto com potencial de maior rentabilidade.
Uma das vantagens está na facilidade de incorporar os peptídeos de colágeno a diferentes produtos. O ingrediente pode ser utilizado em suplementos, bebidas e alimentos, ampliando as possibilidades de consumo.
Whey protein enfrenta pressão
Enquanto o colágeno ganha espaço, o mercado de whey protein enfrenta desafios relacionados ao aumento da demanda e à volatilidade dos preços.
A procura pelo suplemento chegou a afetar operações de grande porte. No ano passado, a empresa responsável pela Growth Suplementos chegou a avaliar uma venda estimada em R$ 4 bilhões, mas as oscilações no preço do whey contribuíram para dificultar a negociação.
O cenário abre espaço para empresas que buscam alternativas dentro do mercado de proteínas e suplementos.
Colágeno apresenta margem maior
Outro fator que chama a atenção do setor é a rentabilidade. Peptídeos de colágeno podem apresentar margem próxima de 30%, enquanto o whey protein trabalha com margens inferiores a 10%, segundo os dados apresentados no levantamento.
A diferença pode estimular novos investimentos e ampliar a competição entre empresas que atuam na indústria de suplementos alimentares.
Mercado brasileiro cresce
O Brasil ocupa posição de destaque no mercado mundial de suplementos esportivos. O país é apontado como o quinto maior mercado do setor, além de aparecer entre os maiores consumidores de whey protein e creatina.
Estimativas indicam que o mercado brasileiro de suplementos alimentares movimentou cerca de R$ 7,6 bilhões em 2025. A expectativa é que o faturamento alcance aproximadamente R$ 13,8 bilhões até 2030.
Com o crescimento do consumo e a diversificação dos produtos, o colágeno surge como uma das apostas para a próxima fase de expansão do mercado de suplementos no Brasil.


