O ministro da Comunicações, deputado potiguar licenciado Fábio Faria (PSD) falou hoje na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, em audiência pública sobre a privatização da Agência Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT).

Apesar de dizer que “os Correios orgulham tanto os brasileiros”, Fábio usou sua fala para desmerecer a atuação da empresa na tentativa de passar a imagem de que a única alternativa possível hoje para ela é a privatização.

Fábio, no entanto, mentiu ao falar sobre o lucro dos Correios. “Cada ano que passa os Correios vem perdendo parte de sua receita de encomendas”, frisou. Ele afirmou que a empresa teve uma queda de 57,15% na entrega de correspondências, uma queda de receita de 43% e que o prejuízo acumulado nos últimos anos chega a R$ 3 bilhões.

Para o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Rio Grande do Norte (SINTECT/RN), o discurso de queda de faturamento não se sustenta. De acordo com o sindicato, levando em consideração os últimos 20 anos houve um lucro de R$ 12 bilhões, dos quais 70% desse lucro foram repassados para a União. O SINTECT/RN destaca ainda que nesse período, apenas entre 2016 e 2018 houve prejuízos que totalizaram R$ 4 bilhões.

“Desde 2019 a empresa voltou a dar lucro, mas para confundir a sociedade eles passam somente os dados que interessam para criar a imagem de que a empresa não é lucrativa, mas no histórico dos últimos 20 anos é lucrativa sim. O faturamento só aumenta. De janeiro a agosto desde ano o balanço da empresa apontou que nesse período o lucro dos Correios foi de 800 milhões de reais”, rebate Alexsandro Gomes, da diretoria do SINTECT/RN.

Fábio também tentou culpar os trabalhadores dos Correios por uma suposta desvalorização da empresa. “Nos últimos 10 anos, nós tivemos 12 greves. No ano passado teve uma paralisação de 35 dias”, sugerindo que as empresas que utilizavam os serviços dos Correios não estão mais se interessando por conta dessas paralisações.  “A cada ano os Correios perdem de 20% a 30% do marketing share de encomendas”, completou.

O ministro garantiu que no Projeto de Lei que estabelece a privatização dos Correios está mantida a exclusividade da empresa para serviço de entrega de cartas, criação de tarifa social para pessoas que não tenham condições de pagar pelos serviços dos Correios, vedação do fechamento das agências em áreas remotas do país e estabilidade dos empregados por 18 meses. “Os empregos estão garantidos até dezembro de 2023”, revelou.

Alexsandro Gomes lembra que após esses 18 meses, haverá demissão em massa para abrir espaço para a uberizacão.

 

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