Nesta terça-feira (14), é celebrado o Dia Mundial do Café. Presente diariamente na mesa dos brasileiros, a bebida ainda desperta dúvidas sobre seus efeitos no organismo e a forma ideal de consumo.
De acordo com a nutricionista Fabiana Coimbra, professora do curso de Medicina da Universidade Potiguar (UnP), integrante da Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, o consumo moderado da bebida pode trazer benefícios importantes ao organismo, principalmente pela presença de compostos bioativos, como cafeína, ácido clorogênico e antioxidantes.
“Esses compostos atuam em diferentes mecanismos no organismo. A cafeína, por exemplo, estimula o sistema nervoso central, o que pode melhorar o estado de alerta, a concentração e a disposição física e mental. Além disso, a cafeína tem efeito termogênico, contribuindo para o aumento do gasto energético do organismo, o que pode favorecer o desempenho durante a prática de atividade física, especialmente em exercícios que exigem mais foco e resistência”, explica.
O café também possui ação antioxidante e anti-inflamatória, o que ajuda a reduzir o estresse oxidativo no organismo. Segundo a especialista, o consumo moderado da bebida está associado à possível redução do risco de algumas doenças crônicas, como Parkinson, diabetes tipo 2 e Alzheimer.
Consumo equilibrado
Apesar dos benefícios, a nutricionista alerta que é preciso equilíbrio para evitar impactos negativos no organismo e na saúde mental. “O excesso de cafeína pode provocar ansiedade, irritabilidade, agitação e até aumento da frequência cardíaca. Algumas pessoas também podem apresentar desconfortos gastrointestinais ou piora de quadros como gastrite, refluxo e insônia”, afirma.
Um dos aspectos mais conhecidos da cafeína é seu efeito estimulante, que pode interferir diretamente na qualidade do sono. Isso acontece porque a substância bloqueia os receptores de adenosina, responsáveis por provocar a sensação de cansaço no organismo.
Outro ponto de atenção está na forma de consumo. Quando o café é ingerido com muito açúcar ou cremes, a bebida pode contribuir para o aumento da ingestão calórica diária. Para adultos saudáveis, o consumo de até 400 miligramas de cafeína por dia é considerado seguro, o que equivale a aproximadamente três a quatro xícaras de café coado. Esse limite, no entanto, pode variar de acordo com fatores individuais, como peso corporal, sensibilidade à cafeína, presença de doenças ou uso de determinados medicamentos.
“O ideal é que cada pessoa observe como o próprio organismo reage ao consumo de café. Algumas pessoas são mais sensíveis à cafeína e podem apresentar efeitos mesmo em quantidades menores”, frisa.
Vale destacar que, apesar das vantagens associadas à bebida, o café não é considerado um alimento essencial para o organismo. “Os benefícios do café também podem ser obtidos por meio de hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada, boa qualidade do sono, prática regular de atividade física e ingestão de alimentos ricos em antioxidantes. Para uma alimentação equilibrada e adequada às necessidades individuais, o ideal é buscar a orientação de um nutricionista, que poderá avaliar cada caso de forma personalizada”, explica a docente da UnP/Inspirali, Fabiana Coimbra.



