* Márcio Alexandre

O prefeito de Mossoró vive hoje, segundo a mais recente pesquisa eleitoral, uma confortável situação na sua caminhada pela reeleição. A surpresa seria se o levantamento feito pela FM 93.7 apontasse algo diferente. Os números de ontem representam o cenário de sempre. Vejamos alguns pontos.

A primeira questão é que o prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) está em campanha desde 1º de janeiro de 2021, quando sentou pela primeira vez na cadeira mais confortável do Palácio da Resistência. Essa constatação não é fruto apenas da garantia que a legislação lhe dá de tentar um segundo mandato consecutivo. Não é sobre isso. Allyson se comporta como candidato desde as primeiras horas em que assumiu o comando da municipalidade.

Essa postura se revela nos ataques a adversários, no desenhar cenário de caos ao convocar ao falar sobre a situação da prefeitura na primeira vez; ao omitir a contribuição dos parlamentares que ajudam (Isolda, Styvenson e, pasmem, até Rogério Marinho) e ajudaram (Beto Rosado) Mossoró; ao controlar a imensa maioria da mídia mossoroense, ao aparelhar os órgãos de controle (vejam como estão os Conselhos Municipais de Educação e de Cultura, por exemplo). O conselho de Saúde, depois que reprovou as contas da gestão, passou a sofrer com o rolo compressor da gestão, que invisibiliza quem não a aprova e ameaça quem a denuncia.

Allyson também está em permanente campanha ao se fazer onipresente nas redes sociais (uso de espaço que lhe permitiu superar o favoritismo da ex-prefeita Rosalba Ciarlini) e também nas espetaculosas solenidades de lançamento de obras que não saem do papel.

Aliás, no quesito obras, há uma leniente e absurda omissão da Câmara Municipal e do Ministério Público. Allyson faz lançamento quase diário de alguma construção. Deixou quase todas elas para anunciar em 2024, por coincidência ano de eleição. São anúncios para ludibriar. A Escola do Liberdade, por exemplo, segue sem que seja colocada uma única pá de cal. Que sequer usam mais.

Evidente abuso de poder político e econômico. A Câmara finge que não vê. Talvez porque 14 vereadores estão no partido do prefeito. Não foram eleitos para o povo, mas para servir à gestão. A troco que de quê? Que venham a público justificar. Ou o Ministério Público descubra as condições os motivos e os argumentos. Não faltam pistas.

Essas são algumas razões que explicam a situação confortável em que o prefeito se encontra: a presença constante de Allyson em eventos e nas redes sociais (sempre com discurso eleitoreiro), a falsa sensação de que Mossoró é um canteiro de obras, a omissão da Câmara e das entidades de fiscalização para conter os excessos e investigar as ilegalidades. Some-se a isso, o fato de órgãos públicos, como a Ouvidoria Municipal, serem usados como forma de catapultar a imagem do prefeito. E quem denuncia qualquer exagero tenta ser silenciado.

A situação de aparências tem sido decisiva para a boa avaliação da gestão municipal. Tem valido mais a placa da reforma do PAM do Bom Jardim do que a criminosa recusa do prefeito em colocar o tomógrafo para funcionar. Tem mais força na mídia um aparelho de ar-condicionado instalado numa escola do que a iminência de uma tragédia nessas mesmas escolas pela instalação não planejada e, portanto, cercada de riscos. Ecoa com mais forças nas redes sociais a patacoada do prefeito em caminhada até a Câmara com um projeto de lei draconiano do que a verdadeira função dele: a retirada de direitos dos servidores. Vale mais uma foto do prefeito em busca de votos numa escola do que a situação perigosa em que se encontram os abrigos para jovens e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

A falta de transparência, marca registrada da gestão, aparece em denúncias recorrentes, como suspeita de fraude no corredor cultural, em processos de seleção, como o da saúde, e no rumuroso caso da licitação ganha pela São Tomé Distribuidora.

Os que são pagos para defender a gestão e o prefeito ou para fingir imparcialidade, creditam o bom desempenho de Allyson na sondagem ao fato de a oposição não ter ainda um candidato. Ora, o prefeito é candidato pelas razões que estão expostas.

Para a definição dos que podem enfrentá-lo, há uma série de nuances que precisam ser analisadas. Não é fácil construir uma pré-candidatura para disputar com uma máquina que trabalha todos os dias para garantir a reeleição do prefeito.

Quem cobra uma candidatura de oposição não considera, por exemplo, que até o prefeito, no céu de brigadeiro em que se encontra, não arrisca anunciar quem é seu candidato a vice, embora ele já tenha decidido quem será.

  • Professor e jornalista

 

 
 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

De Volta ao Topo